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Blog de fabiorocha89j
 


Peça: RockShow

Autor: Fábio Rocha

Nota:  

Estava muito curioso para assistir o musical “RockShow” pelo simples motivo de ser um grande fã do estilo. Devo lembrar que “rock” não é só um estilo barulhento de música, mas tem a ver com atitude e liberdade de expressão, e são esses ingredientes que moldam os vários gêneros que nasceram do rock: hard rock, folk, heavy metal, glam, punk, psycodelic, prog, entre outros. Mas o que vi durante 1 hora e meia de espetáculo foi apenas um amontoado de gritaria, clichês e falta de conhecimento por parte dos responsáveis.


O show(?) abre com “Rock´n´Roll All Night”, do Kiss e logo de cara se percebe que a falta de pesquisa por parte dos atores/cantores pesa muito sobre a performance. São excelentes dançarinos, não há dúvida, mas, penso eu (e muitos outros que assistem peças de teatro, filmes, etc.) que, no mínimo, um pouco mais de conteúdo para os personagens seria plausível. O que se mostrou no número de abertura foi um bolo de gestos sem sentido (como o sinal do “diabo”, que não tem nada a ver com o diabo) típicos de que não tem nada a ver com rock, executados sem parar, só para parecerem “rockstars”, além de um amontoado de perucas, barriguinhas de fora e gritaria, muita gritaria. Tudo bem que o Kiss é uma banda de hard rock que já passou por uma fase glam (aquelas bandas espalhafatosas, tipo o Skid Row e o Guns´n´Roses), mas o figurino da peça(?) era muito deslocado para a música. Se a proposta era apresentar as diferentes épocas do rock, por que não apresentá-las no figurino? O resultado é um grupo cantando sucessos dos anos 50 e 60 com figurino que tenta parecer dos anos 80 (ápice do glam), mas que são apenas variações de roupas da Kelly Osbourne (a patricinha filha de Ozzy Osbourne).


O show seguiu avançando em sua leitura equivocada a partir da segunda música em diante, mas, os sucessos dos anos 50 e 60 (entre eles “Be Bop A Lula”) se encaixaram um pouco melhor no contexto “espetáculo musical”. Apesar de um número regular, aqui o espetáculo, deu sinais de que iria melhorar. Então a apresentação segue e revela que essa esperança foi mera ilusão.


Devo citar na ordem, apenas três músicas que foram boas :


“Bohemian Rhapsody” - Queen: a melhor performance. O grupo soube permanecer fiel ao coral da música original, com alguns exageros (o que é normal em musicais). Além de encerrar a apresentação.


“Another Brick in the Wall part 2” - Pink Floyd: com a melhor coreografia e a que casou bem com a idéia original do vídeo e do filme. Um show de efeitos especiais e o coral bom, exagerando um pouco mais.


“We´re Not Gonna Take It” - Twisted Sister: o interprete foi o único que capturou o espírito da coisa e realizou um bom trabalho. Foi a única música realmente “rock”.


As outras músicas foram (desculpem pela grosseria) destruídas por vocais estridentes e cheios de falhas nas pronúncias:


“Stairway to Heaven” - Led Zeppelin: triste. Cheia de “embromation”. Ver uma das mais belas músicas do mundo, que praticamente criou o estilo folk, ser assassinada por vocais tão exagerados.

“Born To Be Wild” - Steppenwolf: um número de sapateado prejudicado e uma música desperdiçada.

“Light My Fire” - Doors: Para fazer isso, melhor seria se não tivesse sido incluída no repertório. Uma das mais famosas do Doors, cantada como se fosse em uma igreja evangélica (exageros).

“Nothing Else Matters” - Metallica: o Metallica possui tantas outras músicas melhores do que essa (incluíndo “The Unforgiven” e “Fade To Black”). O figurino do cantor estava bom e ele cantou bem. Só.

“Blitzkrieg Bop” - Ramones: Além de performances deslocadas, o grupo mostrou pobreza de conhecimento ao apresentar a música com perucas coloridas que não tinham nada a ver com o punk, e por cantarem tão mal. Seria muito útil um laboratório no Hangar 110, local onde são realizadas apresentações de bandas punks e de hard core, para evitar essa cafonice.

“We Will Rock You” - Queen: apesar da boa idéia de “temperar” a música com um pouco de Stomp (grupo de percussão), o grupo cantou mal. Além da presença das perucas coloridas.

“Help” - Beatles: parecia música gospel (nada contra, mas não combina nem um pouco).

“All Night Long” - AC/DC: regular. O cantor foi o mesmo de “We´re Not Gonna Take It”, e se saiu bem.

“Song 2” - Blur: terrível. Muito mal cantada cheia e cheia de Ho-Ho( tipo o papai noel) e não o “Uh-hu” original.

“Californication” - Red Hot Chili Pappers: fraca. A única coisa legal foi a entrada de um carro no palco.

“I Still Haven´t Found What I´m Looking For” – U2: outra música que virou gospel. Desperdiçada.

“(I Can´t Get No) Satisfaction” – Rolling Stones: cantada por uma aspirante a Britney Spears, com uma linha vocal tão exagerada quanto Mariah Carrey.

“Sweet Child o´ Mine” – Guns´N´Roses: uma das músicas mais famosas do grupo, mas é das mais pop´s (“Paradise City”, “November Rain” ou “Welcome to the Jungle” seriam melhores). Tentar imitar a voz do fresco sr. William Axl Rose é arriscado. A cantora se esforçou, conseguindo alguns resultados bons, mas logo sua voz sumiu, devido ao esforço.

“Smells Like Teen Spirit” – Nirvana: sem dúvida, a pior. O cantor estava fora do tom, errava no tempo, a performance foi a mais fraca do grupo em termos de dança e a música, apesar


eu não lembro de todo o set-list.


Os números de sapateado, apesar de bons, foram tristemente prejudicados pelo alto volume das caixas de som (e eu adoro sapateado). Também foram prejudicados os números de percussão, e aéreos. As danças são, na maioria muito bem coreografadas, mas não passam nem um pouco a idéia de atitude e anarquia que o rock possui (seriam mais bem aproveitadas em um universo mais pop).


Eu gosto de musicais. “A Bela e a Fera” e “O Fantasma da Ópera”, por exemplo, são algumas das mais belas montagens que já foram encenadas em São Paulo, além de “Chicago” e “Cabaret”, que, além musicais de teatro, renderam ótimos filmes. E triste ver um grupo com tanto fôlego para espetáculos, com boas vozes para determinados estilos, e tanto aparato técnico, serem desperdiçados em um espetáculo que apenas deturpa ainda mais a imagem que o verdadeiro ROCK (não aquela criada pela mídia não especializada) tem. Este é um exemplo quem não gosta e de quem não conhece nada de rock e se baseia em Mtv e “rádios rock” que existem por aí (exceto a Eldorado e a Kiss FM, que são ótimas).



Escrito por fabiorocha89j às 17h45
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Filme: Rocky IV

Autor:Fábio Rocha

Nota:  

Rocky IV é, sem dúvida, o pior da série em matéria de história. Stallone, querendo fazer propaganda política dos EUA, ou apenas querendo soar moderno (final dos anos 80), apela para o mesmo defeito que decaiu o personagem Rambo, também escrito e interpretado pelo astro. Salvo alguns poucos momentos, o que difere do terceiro capítulo, Rocky IV não se mantém de pé.


Apollo está há cinco anos sem lutar, então surge a chance de enfrentar o campeão amador soviético Ivan Drago. A luta é marcada por uma tragédia: Ivan Drago é tão forte que provoca um ferimento sério em Apollo, que não resiste e morre nos braços de Rocky. Após mais essa perda, Rocky se vê diante de um sentimento que nunca havia tido antes: O lutador parte para uma luta na Sibéria, a fim de vingar a morte de seu amigo.


Este filme é quase o inverso de Rocky III. Se o terceiro capítulo da série se apresentava bom, apesar de alguns defeitos, este quarto se apresenta ruim, apesar de algumas qualidades. Adotando muitos clichês, frases feitas e do mau desenvolvimento da história, Stallone desperdiça o tempo de todos com uma propaganda política desnecessária, além de tratar os russos como criaturas perversas e robóticas que querem dominar o mundo. E, como se não bastasse, para preencher espaços, Stallone inclui nada menos do que seis vídeo clipes: “No Easy Way Out”, Living in Amarica”, “Burning Heart”, “Harts of Fire”, além de uma seqüência extra de treinos, e a luta final. Com falta de criatividade, essas seqüências, apesar das músicas boas, se mostram como meras desculpas para deixar o filme com mais de uma hora de duração. e é uma pena, já que a sinopse daria uma grande chance aos personagens envolvidos: imaginem a cabeça de Ivan Drago ao descobrir que seu adversário morreu pelas suas mãos? O peso do remorso o derrubaria. E Rocky com esse sentimento de vingança? Ou o que Adrian ou Paulie sentiriam com a perda do amigo e com o iminente perigo de Rocky enfrentar alguém tão forte? Tudo isso poderia ser colocado no filme, mas a preguiça e o ego falaram mais alto e criaram um Ivan Drago frio e sem carisma nenhum (uma porta seria mais expressivo que ele).


Outra ausência é a de Bill Conti na trilha sonora. Percebendo que bomba seria esse quarto filme, Conti tira o corpo fora e, em seu lugar, entra Vince DiCola, com seus teclados e sintetizadores (bem anos 80) e, apesar de fazer um bom trabalho, não cria nenhum grande tema, nenhuma “Going the Distance”, ou “Gonna Fly Now”. O filme, então, abre com Eye of the Tiger, reprisando o desafio do filme anterior (sem a mesma emoção) e com duas luvas de boxe com estampas dos EUA e da URSS que se chocam e explodem. Outro ponto ruim é a participação de James Brown cantando “Living in America” e apenas ocupando espaço.


Em seus poucos momentos bons, o filme nos mostra ginásios cheios e um figurino bem mais equilibrado do que Rocky III. Devo destacar o uniforme do exército russo, bem elegante. É lógico que a luta entre Drago e Rocky é muito boa, voltando a adotar o estilo apresentado em Rocky I e II: os dois primeiros rounds são apresentados na integra, mas do terceiro até o décimo quarto rounds são editados com imagens rápidas, mas que jamais perdem o ritmo e o vigor da luta. O último é na integra também e tão emocionante como o round final de Rocky II e III. Mas apesar de ser uma luta muito boa (Rocky apanha pra valer do russo), a trilha sonora se mostra um pouco inferior e demora um pouco para cativar o expectador.


Mas, por incrível que pareça, Stallone ainda mantém o carisma do personagem. Se dividindo entre Stallone, o escritor e diretor, e Stallone ator, o astro demonstra incrível segurança e vontade para seu personagem. Sem usar dublês (de novo), Stallone entra de cabeça na luta e se fere de verdade, tanto que em uma das tomadas, Dulph Lungreen acerta-o tão forte que Stallone cai feio (é possível presenciar algumas pancadas que realmente pegam em cheio). Apesar de pouco desenvolvido e muito limitado, Dulph Lungreen se solta (da mesma forma que Mr. T.) durante a luta e se entrega totalmente. Talia Shire, Burt Young e Tony Burton são mais uma vez limitados pelo fraco roteiro, mas demonstram comptetência e segurança, sendo que este último criou um dos mais famosos jargões da série: “Sem Dor!”.


Dos seis filmes, este é o mais fraco e, curiosamente, o que mais passou na televisão. Toda a má fama da série entre as pessoas menos ligadas ao cinema, se deve a este filme e que infelizmente faz com que essas pessoas julguem todos os filmes equivocadamente. Assistam por quatro motivos: 1- para acompanhar a série; 2 – Pela seqüência de treinos e pela Luta final; 3 – para nos despedirmos de mais um personagem marcante na série; e 4 – por ser este o episódio que dá um arco dramático maravilhoso para os próximos capítulos.



Escrito por fabiorocha89j às 12h23
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Filme: Rocky III

Autor: Fábio Rocha

Nota:  

Rocky III deixa um pouco de lado o cinema artístico dos dois primeiros capítulos e parte para um apelo um pouco mais comercial, sendo quase um filme de ação. Mas, mesmo com o ego de Stallone na estratosfera, o filme ainda conserva algumas boas influências e apresenta partes realmente emocionantes.


A sinopse é simples, mas convincente: após a conquista do título mundial dos pesos pesados, Rocky atinge o auge de sua carreira e defende o cinturão contra seis adversários. Rico, famoso e de bem com a vida, o boxeador se torna o queridinho do povo (ganhado até uma estátua, que na vida real permanece na Filadélfia), aprende a se comportar da maneira correta, começa a fazer propagandas, participa de shows de TV, é capa de revistas, vive cercado de fãs, etc. Mas surge um homem chamado Clubber Lang, um arruaceiro lutador que quer derrotar Rocky e ganhar o título de campeão.


Como virou hábito da série, o filme inicia com um retrospecto da luta anterior. O filme abre com o grito da platéia, com o narrador aos berros com o combate que está presenciando entre Rocky e Apollo Creed. Logo em seguida o tema “Fanfare For Rocky” anuncia o título, com a imagem de um cinturão, então somos transportados para o ringue com Apollo e Rocky já esgotados, usando suas últimas forças para permanecer em pé. Esse começo é envolvente e planta em quem assiste uma expectativa muito grande em relação ao filme. Mas durante a projeção percebemos que há algumas falhas que comprometem o andamento da saga do lutador e, por conseqüência, a série fica manchada para sempre, sendo duramente criticada somente pelos filmes seguintes.


Stallone, coincidência ou não, estava no auge também e o filme passa a ser um auto-retrato. Mas graças ao carisma do personagem, Stallone algumas vezes se segura, retornando ao roteiro poético do homem simples que precisa lutar até o fim. Com narrativa oscilante, o filme peca por incluir seqüências absurdas e desnecessárias, como a luta contra Thunderlips, ou o mal desenvolvimento de Paulie que, em um momento é arrogante com Apollo e, de repente, se mostra amigo. Além de demonstrar pressa para chegar ao combate final, Stallone derrapa ao não dar mais espaço a Adrian, além de optar por clichês como o treino absurdamente falso que Rocky realiza antes da primeira luta com Clubber. No mais, a parte técnica ainda se mantém firme e impede que o filme caia e, de quebra, traz a música que se tornou o maior clássico da série: Eye of the Tiger, do grupo Survivor.


Mas de repente Stallone se transforma e põe Rocky de frente à sua primeira grande perda até então: a morte de Mikey, seu treinador. Aí o filme muda. Com uma interpretação mais do que perfeita, Burgess Meredith dá o tom perfeito, e até aprimorando, a imagem do pai que Rocky (e até o próprio Stallone, de certa forma) não teve. Em uma de suas melhores cenas, Meredith solta “você tinha garra, mas agora aconteceu o que eu temia e que acontece com qualquer um... Ficou civilizado”. Stallone dá uma bronca em si mesmo através de Mickey, e impiedosamente (no bom sentido) faz com que o treinador nem consiga assistir a última luta de Rocky (que perde), e traz adversários que o lutador nunca conheceu antes: o medo, a dúvida, a insegurança. É emocionante a maneira com que Rocky despeja toda a sua frustração, gritando e embargando a voz, e, somente pela segunda vez no filme todo, a personagem Adrian é aproveitada, e Talia Shire não desperdiça a oportunidade demonstrando conhecer a personagem melhor até do que o próprio Stallone.


Burt Young fica encostado, limitando-se a ter pequenas tiradas engraçadas, formando um Paulie morno. Carl Weathers mantém, e até amplia, o carisma de Apollo, pecando apenas no figurino (é difícil ignorar aquela camisetinha azul). E Stallone, apesar de falhar no roteiro, consegue manter Rocky intacto, tornando suas mudanças de comportamento compreensíveis e trazendo o mesmo tipo que se vê nos filmes anteriores, com uma pequena diferença: Rocky se contém e não fica mais socando o ar enquanto fala. Além de não usar dublês, Stallone treina pra valer e apresenta um físico invejável. Chegamos então ao grande (fisicamente) Mr. T. Ele é uma figura chamativa, com seu corte moicano, seus brincos gigantescos e suas roupas extravagantes. Mas seu talento para a atuação é muito ruim, com erros simples como olhar para a câmera em momentos que não podem, além de dar suas falas sempre em um tom nervoso e apressado. Mas no ringue ele se solta e manda ver sem dó em Stallone.


Aliás, a luta final é realmente empolgante (principalmente para os garotos de dez, doze anos). A única da série a não usar todos os rounds, com recurso de passagem de tempo visto nos filmes anteriores, se mostra a mais cheia de ação, já que Rocky muda completamente seu estilo, optando por uma movimentação relâmpago e golpes rápidos. O treinamento também é bom, mas guarda uma cena que, para muitos, é a primeira e uma das maiores cenas homossexuais dos filmes de ação, e que não deixa de provocar risos (Rocky e Apollo correndo na praia e se abraçando? Ai, que amor... rsrs... brincadeira).


Um filme inferior aos capítulos anteriores, mas que empolga da metade para o final. Além de contar com um dos personagens mais carismáticos do cinema, um vilão atípico que criou um estilo, uma luta muito boa, e possuir uma trilha sonora maravilhosa, a série nos deixa com saudades de um de seus mais expressivos personagens: Mickey. Assistam.



Escrito por fabiorocha89j às 12h22
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Filme: O Mundo de Jack e Rose

Autor: Fábio Rocha

Nota:

“São quadros em movimento”. Esta é a melhor maneira de definir “O Mundo de Jack e Rose”, o novo filme escrito e dirigido por Rebecca Miller, filha do dramaturgo Arthur Miller, e estrelado por Daniel Day-Lewis e Camilla Belle.


Jack (Lewis) é um idealista defensor do meio ambiente que vive isolado do mundo com sua filha Rose (Belle), de dezesseis anos. Mas o desenvolvimento de sua doença e o desabrochar de sua filha o faz pensar no futuro, então Jack decide convidar Kathleen (Catherine Keener), sua namorada, a viver com eles. Kathlenn aceita e se muda para a ilha com seus dois filhos Rodney (Ryan McDonald) e Thaddius (Paul Dano). Com a mudança, Rose sente-se traída pelo pai e passa a agir de modo agressivo com todos. Jack, perante as atitudes da filha, sente-se indefeso, mas forçado a agir.


A fotografia é um dos grandes destaques do filme. O modo como os cenários são apresentados remetem ao clima visto em filmes como o Senhor dos Anéis (sem a grandiosidade, mas como mesmo contexto). Onde antes era uma comunidade, agora apenas uma lembrança que será extinta com o avanço dos tempos, a ilha onde Jack e Rose moram é um lugar que chama a atenção do expectador. Nos dá vontade de explorar todos os cantos da ilha. Além de sermos envolvidos com uma trilha sonora marcante (com influências dos anos 70, principalmente), a edição não deixa a criatividade dos planos externos ser prejudicada. A fluidez de algumas seqüências chegam a lembrar Brian De Palma, pra se ter uma idéia.


Com um elenco competente, Rebecca Miller consegue criar uma narrativa que envolve por despir a alma humana de forma direta, apesar de o roteiro possuir algumas pequenas falhas (como o aparecimento repentino de um personagem que não corresponde às expectativas criadas). Camilla Belle tem uma atuação muito boa, conseguindo criar uma atmosfera de incerteza (e até de certa tensão) em Rose. Catherine Keener está bem, falhando apenas em alguns detalhes. Ryan McDonald e Paul Dano estão mostrando que são grandes promessas para o futuro, principalmente Dano que opta por uma atuação mais interior. Beau Bridges e Jason Lee aparecem pouco. Mas é Daniel Day-Lewis quem mostra sua versatilidade como ator (basta comparar este personagem com os vistos em Gangues de Nova York, Sangue Negro, ou Meu Pé Esquerdo). Jack está sempre com a respiração rápida e curta, devido à sua doença, mas demonstra força bruta e uma feição de pedra, alterando-a apenas para sua filha, que é a única que o conhece realmente. Jack é uma pessoa que se isolou por não aceitar os outros, temática abordada também em “Sangue Negro”, mas que, diferente de Daniel Plainveiw, ele tenta se redimir de seus erros.


Um filme cercado de um cenário magnífico, povoados por personagens interessantes e que vale a pena ver. “O Mundo de Jack e Rose” é um dos melhores filmes do super ator Daniel Day-Lewis, e um grande trabalho da diretora/roteirista Rebecca Miller (que, só por curiosidade, é esposa de Daniel Day-Lewis). Assistam.



Escrito por fabiorocha89j às 12h21
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Peça: Pret A Porter 9

Autor: Fábio Rocha

Nota:

“Pret A Porter 9” é um exercício de cena que o público presencia, mas acaba se sentindo frustrado por não poder compartilhar de modo mais direto as sensações dos personagens presentes no palco. É também um espetáculo de “naturalismo levado ao requinte”, como escreveu Renato Mendonça, do Zero Hora, que cria cenas do cotidiano que passariam despercebidas por nós.


Dividido em três partes, “Pret A Porter 9” narra a história de gente comum, sem nenhum talento excepcional, em lugares comuns. Em “Um Escritório Ao Entardecer”, os atores Osvaldo Gazotti e Vanessa Bruno interpretam dois funcionários que estão perto do fim do expediente de uma sexta-feira. A relação dos dois dá pequenas pistas de um relacionamento reprimido pela opinião dos outros, mas (e graças ao talento da dupla) vemos que eles, apesar de se reprimirem, estão dispostos a arriscar em um futuro próximo. A técnica da dupla em cena é digna de elogios! Valorizando os pequenos gestos, os dois criam personagens comuns e envolvem o público, despertando empatia e compaixão. A cenografia e o figurino são simples, mas muito eficientes.


Em “Edifício Copan”, acompanhamos a vida de duas moças que dividem um pequeno apartamento no famoso edifício. Essa dupla também demonstra competência e agilidade com as palavras, visto que o texto é muito descritivo (outra característica do ser humano). Quando uma das personagens não sabe o nome de uma moradora do prédio, ela a descreve simplesmente como “a senhora que cheira a gatos” (muito bom!). Além de outras descrições engraçadas, o texto também nos faz refletir sobre o significado de “liberdade”, e aqui a cena dá um belíssimo exemplo de simbologia através da pequena janela do apartamento. O figurino e a cenografia são um pouco mais coloridos que o conto anterior e as atrizes Simone Iliescu e Angélica di Paula estão ótimas.


Bibelô de Estrada” é o melhor dos três, pois consegue dosar comédia e drama perfeitamente. Nesta história acompanhamos um dia na vida de uma prostituta que sonha com o estrelato e de um fugitivo. O isolamento é retratado pelo ar cansado criado pela maquiagem dos atores, pela belíssima cenografia (o quarto todo desarrumado) e pela melancólica canção tocada por Émerson Danesi. O figurino está muito bem desenvolvido, revelando as características de cada um e a trilha sonora está mais presente do que nos dois anteriores (vale destacar a presença das músicas da Madonna). Mas o destaque maior da cena é, sem dúvida, a atuação da dupla. Émerson Danesi cria um homem enigmático que pode ser comparado ao mar: hora tem momentos de calmaria, hora tem momentos de fúria. O cuidado e a atenção com que o ator cria várias faces para um único personagem em tão curto espaço de tempo (cada conto dura em média trinta minutos) é admirável! E a caracterização da prostituta? É comovente ver uma personagem tão real. Ela se diverte com pouco, sonha, é ambiciosa, é carente, é menina e, ao mesmo tempo, mulher vivida. Uma das cenas mais tocantes de toda a peça é justamente com ela: quando a peruca que a personagem usa (e fica claro que é uma peruca desde o início da cena) é removida, surge na personagem um complexo de inferioridade e uma insegurança monstruosos, como se ela estivesse sendo despida em público, e a imagem que se forma fica cravada no inconsciente de quem presencia a cena fazendo um maravilhoso paralelo com as fraquezas do ser humano.


Um espetáculo muito bom que peca apenas por possuir alguns momentos de calmaria em seus primeiro e segundo atos, mas que são defeitos muito pequenos que possam comprometer o resultado final. Assistam!



Escrito por fabiorocha89j às 12h32
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Peça: Romeu e Julieta

Autor: Fábio Rocha

Nota:

Mesmo não sendo tão famoso quanto “Hamlet”, “Macbeth” ou “Otelo”, “Romeu e Julieta” tornou-se um dos textos mais famosos, pelas mãos de Shakespeare, além de ser referência quase que obrigatória para qualquer escritor que queira desenvolver um texto romântico. Sobre o grupo “Loucos do Tarô”, eu já assisti a dois espetáculos: “De 50 Pra Cá” e “O Baú da Inspiração Perdida”, e, apesar de o primeiro me agradar mais, devo dizer que o grupo, apesar de ainda ser limitado, nunca me decepcionou.


A história é famosa: Romeu Montéquio e Julieta Capuleto, filhos de famílias inimigas, se apaixonam perdidamente e decidem fugir para viver essa grande paixão, mesmo contrariando a vontade de seus pais. Já viu isso antes? Claro que já! Isso é roteiro de qualquer novela da Globo ou da Record hoje em dia. Esse texto pode ser a primeira novela das oito da história, visto que Shakespeare era, em sua época, teatro popular. Mas não devemos tirar o mérito do famoso escritor, já que foi com esse texto que ele criou uma escola. Os romances escritos até hoje bebem dessa fonte, além de influenciar várias gerações da cultura pop dos dias de hoje: na música (Dire Straits, por exemplo), no cinema (“O Casamento de Romeu e Julieta”), até mesmo em “Sin City”, de Frank Miller, vemos essa influência (em “O Assassino Amarelo” vemos um casal lutando para sobreviverem juntos). Mas a influência de “Romeu e Julieta” vai além: quem nunca se apaixonou perdidamente na adolescência? Ou teve um relacionamento tempestuoso por todos ao redor serem contra? É por essas e outras que Shakespeare é, e sempre será, um dos escritores mais influentes da história.


O grupo chamou para a direção René Piazentin que, entre outros trabalhos, dirigiu o maravilhoso “Quixote” (sim, sou fã e não canso de falar deste espetáculo), mas apesar de apresentar cenas realmente bem coreografadas (a primeira luta é ótima), há, em alguns momentos, uma certa pressa de resolver as coisas para entrarem em cartaz logo. Não estou desmerecendo o trabalho de ninguém, mas acho que esse problema será resolvido apenas com o tempo. A trilha sonora também foi bem aproveitada, incluindo a valsa final presente no filme “Old Boy”, uma bela composição que serviu como uma luva para a peça. A iluminação não apresentou inovações, passando um pouco despercebida. Mas o destaque vai mesmo para o figurino: todos vestindo peças escuras, como sobretudos, espartilhos, coletes e vestidos, que possuem pequenos adereços coloridos, como um colar, ou mesmo uma rosa vermelha, criam uma atmosfera misteriosa e, ao mesmo tempo, melancólica que preenchem a imagem dos personagens. Há também a presença quase que onipresente de pares e mais pares de tênis All Star (muito legal).


O grupo possui integrantes que são talentos ascendentes e alguns que se limitam, talvez por receio de soarem falsos (realmente o texto é muito difícil). Por ser a segunda apresentação deles, há todo um trabalho de aprimoramento que deve ser desenvolvido com o tempo, mas é bom lembrar que o circuito profissional não gosta de esperar, então é primordial o empenho de todos no desenvolvimento de seus personagens que, por menores que sejam, devem possuir grande presença cênica para preencher as lacunas que vi. Todos, em maior ou menor grau, se limitaram por causa do vocabulário, e também em cenas coletivas (com certa freqüência via alguém desviar o olhar para o público em momentos inoportunos, ou exagerar em determinados gestos). Mas não podemos falar somente o negativo. O lado bom de tudo foi ver um grupo de atores que se desenvolveram e se esforçaram bastante para colher resultados satisfatórios. E realmente devo concordar que, apesar de também apresentarem algumas pequenas falhas, o casal principal demonstrou domínio e boa vontade com seus personagens, segurando bem a responsabilidade. Mercúcio/Frei Lourenço, Benvólio e a Ama (com a pequena criada) nos deram bons momentos com suas piadas e Teobaldo se mostrou um bom antagonista, apesar de se sentir um pouco inseguro em sua primeira cena (nada que o tempo não resolva). O príncipe/frei João/apresentadora/criado (ufa!...), mostrou uma proposta muito bonita com um belo trabalho corporal e carisma para entreter o público (apenas tampando a boca com os próprios gestos em alguns momentos, é só ter mais atenção). Vale destacar alguns momentos, mas a que mais emocionou foi a cena final que começa com o encontro de Romeu com o corpo de Julieta e vai até o fim propriamente dito (aqui também é bom dizer: menos gestos e mais trabalho interno deixarão a cena ainda mais forte).


Um grupo que encontrou algumas dificuldades ao longo de sua (ainda curta) existência, mas que soube montar um bom espetáculo. Apesar das falhas, a história envolve e o carisma de alguns personagens nos prende. Quem sabe mais pra frente eles se desenvolvam mais e mais. Bom.



Escrito por fabiorocha89j às 14h09
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68ª Mostra Macunaíma

O Mandato

Uma comédia de costumes maluca que retrata a Rússia após a revolução. O cenário é um dos melhores da mostra, com efeitos de neve bem simples, mas bem elaborados. O figurino e a maquiagem também estão ótimos e o elenco soube segurar a onda com muito carisma, criando personagens que ficam facilmente gravados na memória do público, como o vizinho maluco, os irmãos e a mãe (esta interpretada por duas atrizes), os três canalhas que ajudam a família (estes são os melhores) e muitos outros. A graça está também nos nomes dos personagens, cada um mais estranho que o outro. O único defeito está na duração, com quase duas horas de duração. Mas para a surpresa de muitos (e para a minha), esta se mostrou uma das melhores comédias da mostra. Parabéns!



Escrito por fabiorocha89j às 18h52
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Peça: Amleto - Na Carne o Silêncio

Autor: Fábio Rocha

Nota:  

“Amleto – Na Carne o Silêncio” é um exemplo maravilhoso de como as obras de Shakespeare podem ser aproveitadas das mais variadas formas e estilos, além de dar uma aula de interpretação. Muitas pessoas, que geralmente se dizem “atores e atrizes shakespearianos”, que vivem divulgando a Deus e o mundo que só existe um método para se interpretar Shakespeare, deveriam assistir a esse espetáculo, pois veriam que a forma de interpretar as obras do autor inglês é muito mais do que erguer as mãos, falando pausada mente e em tom eloqüente.


Hamlet é o príncipe da Dinamarca que busca vingança contra o atual rei, tio de Hamlet, e o responsável pela morte de seu pai, o Rei Hamlet. Com seu tempo e sua energia inteiramente direcionados ao seu objetivo, Hamlet não se apega a fatores paralelos, como o amor de Ofélia, filha do Lord Polônio, o amor que sua mãe Gertrudes, antes esposa do primeiro rei e agora do atual, lhe dedica em prol de uma harmonia familiar e a amizade de seus companheiros. Hamlet utiliza de toda a sua inteligência em uma árdua batalha silenciosa que o faz chegar à beira da loucura, mas o instiga ainda mais.


Em um cenário simples, com um andaime, luzes dispostas na boca de cena, outras com reflexo em alumínio e alguns focos de luz islados, a peça se mostra engenhosa pela simplicidade. O cenário é uma caixa de surpresas, pois os atores os utilizam das mais diversas formas possíveis (o que é impressionante, se levarmos em conta o tamanho desse andaime). O figurino é neutro, feito de uniformes de esgrima velhos e propositalmente sujos (com exceção do figurino de Hamlet, que é preto), mas com um ótimo efeito, gracas aos acessórios utilizados. A trilha sonora é discreta e, em muitos momentos, o espetáculo não a utiliza, optando por silêncios e pausas dramáticos que funcionam muito bem.


O elenco está em perfeita sintonia em suas seqüências dramáticas, em sua segurança com o texto (este, aliás, se torna muito bonito na pronúncia italiana) e exemplar maestria na esgrima (durante todo o espetáculo os atores duelam com espadins, sem jamais perderem o tônus). Além de utilizarem muitos (e pequenos) acessórios, o elenco todo consegue dar vida a objetos e figurinos que, à primeira vista, não se encaixam no contexto (o teatro de máscaras, as coroas enferrujadas). Para dar um exemplo, vou citar a cena da morte de Ofélia: os atores a realizam seguindo a linguagem simbolista (que seria a opção mais viável e, conseqüentemente, a mais arriscada a cair no clichê), mas a disposição dos atores em realizá-la é emocionante e a narração do ator Tazio Torrini, intérprete de Hamlet, emociona e choca com a vivacidade adicionada ao texto (que é um dos mais difíceis da história do teatro). Outro exemplo está no fato de a peça ser em italiano, o que obrigaria a maioria dos expectadores a se concentrar no telão de legendas, mas a interpretação e a prontidão corporal dos atores prendiam os olhos de todos e, mesmo com o idioma diferente, eles conseguiam transmitir toda a veracidade da peça, através do corpo e do tom de voz, fazendo com que entendêssemos os diálogos como se estes estivessem sendo falados em nossa língua.


Um espetáculo desses deveria ficar mais tempo em cartaz para muitas pessoas fossem prestigiar esse maravilhoso trabalho. Parabéns a todos os integrantes da equipe técnica e do elenco desta companhia que demonstraram muita competência com uma montagem tão difícil. Parabéns ao diretor Roberto Bacci por conduzir o público por essa maravilhosa e emocionante viagem. Pena que ficou tão pouco tempo em cartaz.



Escrito por fabiorocha89j às 19h01
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Critério:

 -Excelente;  - Muito bom;  - Bom;  - Regular;  - Ruim;  - Péssimo



Escrito por fabiorocha89j às 10h57
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68ª Mostra Macunaíma

Peer Gynt

Peça de quase duas horas de duração (muito longa para o padrão da mostra), mas que consegue se sustentar graças ao desempenho de seu elenco. Esse grupo (ou parte dele) já haviam realizado a montagem “Bruxas de Salém” e naquele espetáculo, eles mostraram que conseguiam se superar durante a apresentação (ler a crítica da mostra retrasada). A atriz principal conseguiu muito bem retratar a imaginação de Peer, além de mostrar um bom trabalho de corpo, só falhando um pouco na voz, que parecia estar sempre sem fôlego (mas isso é pouco ou quase nada perto de sua performance). Todo o elenco conseguiu mostrar muita competência, destacando a reunião dos duendes e o hospício. As cenas mais emocionantes também tiveram muita força e um suporte maravilhoso da trilha sonora e do jogo de luzes. E por falar em luzes, essas se mostraram o ponto mais forte da parte técnica. Há apenas dois pontos negativos: a duração (que é até compreensível, já que a história é cheia de grandes momentos) e que esse tipo de peça é para poucos atores se destacarem, não aproveitando todo o elenco e deixando-o um pouco de canto. Mas foi muito bom!



Escrito por fabiorocha89j às 10h57
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Peça: A Casa de Bernarda Alba

Autor: Fábio Rocha

Nota:

Como sendo um trabalho de conclusão de curso da Escola de Atores Nilton Travesso, “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca, se mostrou bem estruturado, apresentando cenas realmente boas e que agradam pelo seu bom gosto. Apenas alguns defeitos que ofuscam o resultado final.


Após a morte do marido, Bernarda Alba assume de forma autoritária o comando da casa e, conseqüentemente, o destino de todos os envolvidos, criando um sistema de liderança no qual os valores individuais são abruptamente substituídos por rígidas leis comportamentais, incompatíveis com as necessidades das personagens envolvidas, conduzindo-as a um desfecho trágico em que, não por ironia, acaba ela própria sendo absorvida.


O clima frio da cidade de São Paulo contribuiu para que a peça ficasse ainda mais sombria, pois o público se encolhia nas cadeiras para se aquecer e o clima “dark” da peça ficou ainda mais evidente. As luzes estavam de acordo com a proposta e não foram usadas de modo mais ativo, mas complementavam o clima com segurança. Também o figurino praticamente preto cumpre bem a proposta do sombrio. Mas um ponto mais interessante, e inusitado, está na trilha sonora, que brinca com as músicas mais obvias para esse tipo de espetáculo (músicas de suspense) e com a música flamenca, dando um tom um pouco puxado para o lado erótico, necessário durante o desenrolar da peça.


Mas algumas coisas deram uma esfriada no clima de tensão que a peça criou, como por exemplo, as atuações das filhas, tirando uma. As atuações tiveram seus momentos bons, principalmente da protagonista (apesar de manter sempre o mesmo tom de voz), mas algumas vezes elas exageravam e não conseguiam ter a verdade cênica alcançada durante as seqüências de dança. Outro ponto que prejudicou foi a escolha da caracterização da personagem Maria Josefa, mãe de Bernarda. Seria bem interessante se a peça tivesse outro estilo, mais solto. Mas como tudo era muito tradicional, a personagem não se encaixou como deveria.


Com vários pontos positivos e negativos, a peça se mostra um espetáculo ainda na fase experimental, que futuramente terá se equilibrado melhor, se o grupo der continuidade. È bom que continuem.



Escrito por fabiorocha89j às 01h10
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Meu Pé de Laranja Lima


Maravilhosa peça que emociona por sua simplicidade e crueza. O grupo se mostrou bastante dedicado na realização e demonstraram muito talento nas interpretações (apesar de umas pequenas falhas); o cenário era praticamente neutro, coisa que eu acho que deveria receber mais atenção do grupo, mas não chega a comprometer o principal; a trilha era bem simples também; o figurino muito bem elaborado; e o texto foi muito respeitado, assumindo um ar de peça infantil. Muito bom!



Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas


Um cenário muito interessante e criativo, que criava dois planos (frente e fundo) para representar o mundo real e o mundo de imaginações de Edward Bloom, o protagonista desta maravilhosa história. Mas o elenco estava em um momento não muito bom, errando várias vezes o texto, perdendo o tempo ritmo e demonstrando insegurança. Apesar de tecnicamente belo, o espetáculo sofreu por causa da insegurança do elenco.



Gargantua e Pantagruel


Comédia anárquica e “non-sense” que não é para qualquer público. Tirando sarro dos contadores de histórias, a peça é uma das mais inventivas da mostra. O elenco está à mil, não perdoando ninguém com um senso de humor que chega a ser agressivo (um dos integrantes do elenco manda o público tomar naquele lugar!), mas que faz o público rir muito, justamente por causa dessas tiradas insanas. Apenas uns dois solos foram um pouco longos, mas não prejudicou o resultado final. Figurinos curiosos (tecidos brancos e sujos), cenário muito estranho (palha e feno pra todo lado), trilha sonora ótima (de Greensleeves a Village People) e jogo de luz bem simples fazem dessa montagem uma das mais malucas viagens já vistas nas mostras do Macunaíma. Muito bom!



Escrito por fabiorocha89j às 00h55
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68ª Mostra Macunaíma

O Rei da Vela

O grande forte dessa peça é o personagem principal e os atores o interpretaram. Cada um seguindo um estilo diferenciado do outro, conseguiram trazer para perto do público um homem sem muito caráter, que flerta com a mãe e a tia da própria esposa, mas com um carisma envolvente e, de certo modo, hipnotizante. Figurinos coloridos no primeiro ato, cores mais harmônicas (e voltadas para as quentes) no segundo, e um tom mais escuro no terceiro, mostram a tragetória. O grupo está de parabéns! Só algumas cenas (que poderiam ser mais curtas) deram um pouco de cansaço no público, mas sem comprometer o espetáculo. Trilha sonora muito engraçada e espirituosa e cenário simples, mas valorizado graças ao jogo de luzes. Muito bom.

 

Do Outro Lado

Um cenário tão interessante (e bonito), figurinos maravilhosos e um jogo de luz muito bem elaborado foram derrubados por uma peça muito parada. A sinópse dizia "drama simbolista", mas o que se viu foi uma peça enrolada, cansativa e, o pior, sem simbolismo nenhum! A primeira parte até que prendeu a atenção do público, mais pelo visual, do que propriamente as interpretações (que soaram falsas, mas perdoáveis, já que estamos em uma escola), mas a segunda parte... Essa deu sono... A atenção do público ficou tão dispersa que, em certo momento, algumas pessoas riam de cenas que eram para ser sérias! O que se viu foi um sónífero visual, uma grande falta de preparo do elenco e um grande exercício de ego, ou do diretor, ou do elenco, ou de qualquer um, não sei dizer, foi visto de tudo, menos teatro. Pena, mas foi ruim. Obs: a primeira parte dessa montagem foi feita há muitos anos (e com competência) por Antunes Filho no programa de tele-teatro "Teatro em Preto e Branco" reprisado recentemente pela TV Cultura.



Escrito por fabiorocha89j às 09h05
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Filme: Sangue Negro

Autor: Fábio Rocha

Nota:

Nos últimos tempos o tema “violência” tem marcado presença nos filmes, tendo como exemplo “Os Infiltrados”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Sweeney Todd”, “Tropa de Elite”, entre outros. Além de se destacarem, esses filmes estão arrecadando prêmios importantes ao redor do mundo, como o Oscar para “Os Infiltrados” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” e o Urso de Ouro para “Tropa de Elite”. E no meio dessa ninhada de violência está “Sangue Negro”.


Na virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele decide mudar de ramo e passa a perfurar o solo atrás de petróleo. Quando descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo, Daniel decide ir até o local com seu filho, H. W. Plainview (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel se arrisca e logo encontra um poço de petróleo que lhe traz muita riqueza mas também muitos problemas.


Diferente dos filmes citados no primeiro parágrafo, o diretor Paul Thomas Anderson dá ao seu longa uma atmosfera muito mais opressora do que propriamente violenta, mas tão ameaçadora quanto. O clima apresentado é pesado e quase sufocante pela sua simbologia e, apesar dos planos em aberto, o expectador jamais se sente confortável, ou nem mesmo um pouco distante daquele mundo cruel e sujo. A fotografia segue com o mesmo objetivo e a trilha sonora desarmônica (propositalmente) serve de guia para o expectador entender a mente deturpada do personagem principal.


Paul Dano se revela uma grande promessa para o futuro. Errando muito pouco, Dano aplica em seu personagem (o Pastor Eli) um ar mimado e malicioso, acentuado pela voz desafinada, além de demonstrar imenso talento para dar vida ao irmão gêmeo de seu personagem, Paul Sunday, utilizando uma voz mais rouca e personalidade mais controlada. Dillon Freasier também consegue impressionar com seu H.W., aplicando realismo com competência e se torna mais uma grande revelação na escassa galeria de atores mirins. Já Daniel Day-Lewis mostra sua força na impressionante imagem de Daniel Plainview. O personagem principal é um monstro que se revela aos poucos, apresentando um lado bondoso que vai aos poucos sendo dominado pelo ódio e passa a repelir todos ao seu redor. E toda essa crueldade ganha vida graças ao seu intérprete, que foi comparado a Orson Welles, Laurence Olivier e Marlon Brando. Boa, Daniel!


Não é um filme para qualquer expectador, muito menos um filme agradável, mas é de uma qualidade altíssima e deve ser assistido com muita atenção, principalmente por causa da interpretação de Daniel Day-Lewis, que arrecadou vários prêmios ao redor do mundo com esse papel. Vale a pena. Assistam!!!



Escrito por fabiorocha89j às 01h44
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68ª Mostra Macunaíma


O Pássaro Azul


Com começo empolgante, miolo monótono e final regular, a montagem perde a atenção e o foco, fazendo com que o público se sinta cansado cansaço. O ponto forte está na beleza dos cenários, figurino, luz e maquiagem, além das atuações dos intérpretes do cão, leite, pão que adotaram uma linguagem bem simples e divertida, mas verdadeira. Mas esses pontos positivos foram muito prejudicados pelo segundo ato, onde a peça perdeu o ritmo e o espaço do Teatro 1 não ajudou. Também havia uma certa desarmonia no ar entre os membros do elenco (era quase imperceptível, mas havia alguma coisa). Uma pena.



DogVille


Com o feeling nas estrelas pelo fato de ser a última sessão de ma turma de PA2, a peça apresentada superou as expectativas e impressionou bastante. A história por si só já é um grande atrativo, mas, apesar das limitações do elenco (poucas, diga-se de passagem, e perfeitamente normal em uma escola), eles conseguiram segurar a barra e mostraram muita garra e consciência. Parabéns! Cenários, figurinos e trilha sonora nota 10!

 

Através do Espelho


Linda adaptação da obra de Lewis Carrol, “Através do Espelho” mostra as aventuras de Alice após os eventos de “Alice no País das Maravilhas”. O grupo soube interpretar com muita energia e presença de cena os personagens estranhos existentes nesse fantástico universo. O cenário é um dos mais bonitos que já vi no Macunaíma, a trilha sonora é perfeita (inclui uma homenagem ao “Mágico de Oz”) e os figurinos são lindos. Parabéns a todos!



Escrito por fabiorocha89j às 23h11
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