Peça: A Casa de Bernarda Alba
Autor: Fábio Rocha
Nota: 
Como sendo um trabalho de conclusão de curso da Escola de Atores Nilton Travesso, “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca, se mostrou bem estruturado, apresentando cenas realmente boas e que agradam pelo seu bom gosto. Apenas alguns defeitos que ofuscam o resultado final.
Após a morte do marido, Bernarda Alba assume de forma autoritária o comando da casa e, conseqüentemente, o destino de todos os envolvidos, criando um sistema de liderança no qual os valores individuais são abruptamente substituídos por rígidas leis comportamentais, incompatíveis com as necessidades das personagens envolvidas, conduzindo-as a um desfecho trágico em que, não por ironia, acaba ela própria sendo absorvida.
O clima frio da cidade de São Paulo contribuiu para que a peça ficasse ainda mais sombria, pois o público se encolhia nas cadeiras para se aquecer e o clima “dark” da peça ficou ainda mais evidente. As luzes estavam de acordo com a proposta e não foram usadas de modo mais ativo, mas complementavam o clima com segurança. Também o figurino praticamente preto cumpre bem a proposta do sombrio. Mas um ponto mais interessante, e inusitado, está na trilha sonora, que brinca com as músicas mais obvias para esse tipo de espetáculo (músicas de suspense) e com a música flamenca, dando um tom um pouco puxado para o lado erótico, necessário durante o desenrolar da peça.
Mas algumas coisas deram uma esfriada no clima de tensão que a peça criou, como por exemplo, as atuações das filhas, tirando uma. As atuações tiveram seus momentos bons, principalmente da protagonista (apesar de manter sempre o mesmo tom de voz), mas algumas vezes elas exageravam e não conseguiam ter a verdade cênica alcançada durante as seqüências de dança. Outro ponto que prejudicou foi a escolha da caracterização da personagem Maria Josefa, mãe de Bernarda. Seria bem interessante se a peça tivesse outro estilo, mais solto. Mas como tudo era muito tradicional, a personagem não se encaixou como deveria.
Com vários pontos positivos e negativos, a peça se mostra um espetáculo ainda na fase experimental, que futuramente terá se equilibrado melhor, se o grupo der continuidade. È bom que continuem.
Escrito por fabiorocha89j às 01h10
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Meu Pé de Laranja Lima 
Maravilhosa peça que emociona por sua simplicidade e crueza. O grupo se mostrou bastante dedicado na realização e demonstraram muito talento nas interpretações (apesar de umas pequenas falhas); o cenário era praticamente neutro, coisa que eu acho que deveria receber mais atenção do grupo, mas não chega a comprometer o principal; a trilha era bem simples também; o figurino muito bem elaborado; e o texto foi muito respeitado, assumindo um ar de peça infantil. Muito bom!
Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas 
Um cenário muito interessante e criativo, que criava dois planos (frente e fundo) para representar o mundo real e o mundo de imaginações de Edward Bloom, o protagonista desta maravilhosa história. Mas o elenco estava em um momento não muito bom, errando várias vezes o texto, perdendo o tempo ritmo e demonstrando insegurança. Apesar de tecnicamente belo, o espetáculo sofreu por causa da insegurança do elenco.
Gargantua e Pantagruel 
Comédia anárquica e “non-sense” que não é para qualquer público. Tirando sarro dos contadores de histórias, a peça é uma das mais inventivas da mostra. O elenco está à mil, não perdoando ninguém com um senso de humor que chega a ser agressivo (um dos integrantes do elenco manda o público tomar naquele lugar!), mas que faz o público rir muito, justamente por causa dessas tiradas insanas. Apenas uns dois solos foram um pouco longos, mas não prejudicou o resultado final. Figurinos curiosos (tecidos brancos e sujos), cenário muito estranho (palha e feno pra todo lado), trilha sonora ótima (de Greensleeves a Village People) e jogo de luz bem simples fazem dessa montagem uma das mais malucas viagens já vistas nas mostras do Macunaíma. Muito bom!
Escrito por fabiorocha89j às 00h55
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