68ª Mostra Macunaíma
O Mandato 
Uma comédia de costumes maluca que retrata a Rússia após a revolução. O cenário é um dos melhores da mostra, com efeitos de neve bem simples, mas bem elaborados. O figurino e a maquiagem também estão ótimos e o elenco soube segurar a onda com muito carisma, criando personagens que ficam facilmente gravados na memória do público, como o vizinho maluco, os irmãos e a mãe (esta interpretada por duas atrizes), os três canalhas que ajudam a família (estes são os melhores) e muitos outros. A graça está também nos nomes dos personagens, cada um mais estranho que o outro. O único defeito está na duração, com quase duas horas de duração. Mas para a surpresa de muitos (e para a minha), esta se mostrou uma das melhores comédias da mostra. Parabéns!
Escrito por fabiorocha89j às 18h52
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Peça: Amleto - Na Carne o Silêncio
Autor: Fábio Rocha
Nota:
“Amleto – Na Carne o Silêncio” é um exemplo maravilhoso de como as obras de Shakespeare podem ser aproveitadas das mais variadas formas e estilos, além de dar uma aula de interpretação. Muitas pessoas, que geralmente se dizem “atores e atrizes shakespearianos”, que vivem divulgando a Deus e o mundo que só existe um método para se interpretar Shakespeare, deveriam assistir a esse espetáculo, pois veriam que a forma de interpretar as obras do autor inglês é muito mais do que erguer as mãos, falando pausada mente e em tom eloqüente.
Hamlet é o príncipe da Dinamarca que busca vingança contra o atual rei, tio de Hamlet, e o responsável pela morte de seu pai, o Rei Hamlet. Com seu tempo e sua energia inteiramente direcionados ao seu objetivo, Hamlet não se apega a fatores paralelos, como o amor de Ofélia, filha do Lord Polônio, o amor que sua mãe Gertrudes, antes esposa do primeiro rei e agora do atual, lhe dedica em prol de uma harmonia familiar e a amizade de seus companheiros. Hamlet utiliza de toda a sua inteligência em uma árdua batalha silenciosa que o faz chegar à beira da loucura, mas o instiga ainda mais.
Em um cenário simples, com um andaime, luzes dispostas na boca de cena, outras com reflexo em alumínio e alguns focos de luz islados, a peça se mostra engenhosa pela simplicidade. O cenário é uma caixa de surpresas, pois os atores os utilizam das mais diversas formas possíveis (o que é impressionante, se levarmos em conta o tamanho desse andaime). O figurino é neutro, feito de uniformes de esgrima velhos e propositalmente sujos (com exceção do figurino de Hamlet, que é preto), mas com um ótimo efeito, gracas aos acessórios utilizados. A trilha sonora é discreta e, em muitos momentos, o espetáculo não a utiliza, optando por silêncios e pausas dramáticos que funcionam muito bem.
O elenco está em perfeita sintonia em suas seqüências dramáticas, em sua segurança com o texto (este, aliás, se torna muito bonito na pronúncia italiana) e exemplar maestria na esgrima (durante todo o espetáculo os atores duelam com espadins, sem jamais perderem o tônus). Além de utilizarem muitos (e pequenos) acessórios, o elenco todo consegue dar vida a objetos e figurinos que, à primeira vista, não se encaixam no contexto (o teatro de máscaras, as coroas enferrujadas). Para dar um exemplo, vou citar a cena da morte de Ofélia: os atores a realizam seguindo a linguagem simbolista (que seria a opção mais viável e, conseqüentemente, a mais arriscada a cair no clichê), mas a disposição dos atores em realizá-la é emocionante e a narração do ator Tazio Torrini, intérprete de Hamlet, emociona e choca com a vivacidade adicionada ao texto (que é um dos mais difíceis da história do teatro). Outro exemplo está no fato de a peça ser em italiano, o que obrigaria a maioria dos expectadores a se concentrar no telão de legendas, mas a interpretação e a prontidão corporal dos atores prendiam os olhos de todos e, mesmo com o idioma diferente, eles conseguiam transmitir toda a veracidade da peça, através do corpo e do tom de voz, fazendo com que entendêssemos os diálogos como se estes estivessem sendo falados em nossa língua.
Um espetáculo desses deveria ficar mais tempo em cartaz para muitas pessoas fossem prestigiar esse maravilhoso trabalho. Parabéns a todos os integrantes da equipe técnica e do elenco desta companhia que demonstraram muita competência com uma montagem tão difícil. Parabéns ao diretor Roberto Bacci por conduzir o público por essa maravilhosa e emocionante viagem. Pena que ficou tão pouco tempo em cartaz.
Escrito por fabiorocha89j às 19h01
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Critério:
-Excelente; - Muito bom; - Bom; - Regular; - Ruim; - Péssimo
Escrito por fabiorocha89j às 10h57
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68ª Mostra Macunaíma
Peer Gynt 
Peça de quase duas horas de duração (muito longa para o padrão da mostra), mas que consegue se sustentar graças ao desempenho de seu elenco. Esse grupo (ou parte dele) já haviam realizado a montagem “Bruxas de Salém” e naquele espetáculo, eles mostraram que conseguiam se superar durante a apresentação (ler a crítica da mostra retrasada). A atriz principal conseguiu muito bem retratar a imaginação de Peer, além de mostrar um bom trabalho de corpo, só falhando um pouco na voz, que parecia estar sempre sem fôlego (mas isso é pouco ou quase nada perto de sua performance). Todo o elenco conseguiu mostrar muita competência, destacando a reunião dos duendes e o hospício. As cenas mais emocionantes também tiveram muita força e um suporte maravilhoso da trilha sonora e do jogo de luzes. E por falar em luzes, essas se mostraram o ponto mais forte da parte técnica. Há apenas dois pontos negativos: a duração (que é até compreensível, já que a história é cheia de grandes momentos) e que esse tipo de peça é para poucos atores se destacarem, não aproveitando todo o elenco e deixando-o um pouco de canto. Mas foi muito bom!
Escrito por fabiorocha89j às 10h57
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