Filme: Rocky IV
Autor:Fábio Rocha
Nota:
Rocky IV é, sem dúvida, o pior da série em matéria de história. Stallone, querendo fazer propaganda política dos EUA, ou apenas querendo soar moderno (final dos anos 80), apela para o mesmo defeito que decaiu o personagem Rambo, também escrito e interpretado pelo astro. Salvo alguns poucos momentos, o que difere do terceiro capítulo, Rocky IV não se mantém de pé.
Apollo está há cinco anos sem lutar, então surge a chance de enfrentar o campeão amador soviético Ivan Drago. A luta é marcada por uma tragédia: Ivan Drago é tão forte que provoca um ferimento sério em Apollo, que não resiste e morre nos braços de Rocky. Após mais essa perda, Rocky se vê diante de um sentimento que nunca havia tido antes: O lutador parte para uma luta na Sibéria, a fim de vingar a morte de seu amigo.
Este filme é quase o inverso de Rocky III. Se o terceiro capítulo da série se apresentava bom, apesar de alguns defeitos, este quarto se apresenta ruim, apesar de algumas qualidades. Adotando muitos clichês, frases feitas e do mau desenvolvimento da história, Stallone desperdiça o tempo de todos com uma propaganda política desnecessária, além de tratar os russos como criaturas perversas e robóticas que querem dominar o mundo. E, como se não bastasse, para preencher espaços, Stallone inclui nada menos do que seis vídeo clipes: “No Easy Way Out”, Living in Amarica”, “Burning Heart”, “Harts of Fire”, além de uma seqüência extra de treinos, e a luta final. Com falta de criatividade, essas seqüências, apesar das músicas boas, se mostram como meras desculpas para deixar o filme com mais de uma hora de duração. e é uma pena, já que a sinopse daria uma grande chance aos personagens envolvidos: imaginem a cabeça de Ivan Drago ao descobrir que seu adversário morreu pelas suas mãos? O peso do remorso o derrubaria. E Rocky com esse sentimento de vingança? Ou o que Adrian ou Paulie sentiriam com a perda do amigo e com o iminente perigo de Rocky enfrentar alguém tão forte? Tudo isso poderia ser colocado no filme, mas a preguiça e o ego falaram mais alto e criaram um Ivan Drago frio e sem carisma nenhum (uma porta seria mais expressivo que ele).
Outra ausência é a de Bill Conti na trilha sonora. Percebendo que bomba seria esse quarto filme, Conti tira o corpo fora e, em seu lugar, entra Vince DiCola, com seus teclados e sintetizadores (bem anos 80) e, apesar de fazer um bom trabalho, não cria nenhum grande tema, nenhuma “Going the Distance”, ou “Gonna Fly Now”. O filme, então, abre com Eye of the Tiger, reprisando o desafio do filme anterior (sem a mesma emoção) e com duas luvas de boxe com estampas dos EUA e da URSS que se chocam e explodem. Outro ponto ruim é a participação de James Brown cantando “Living in America” e apenas ocupando espaço.
Em seus poucos momentos bons, o filme nos mostra ginásios cheios e um figurino bem mais equilibrado do que Rocky III. Devo destacar o uniforme do exército russo, bem elegante. É lógico que a luta entre Drago e Rocky é muito boa, voltando a adotar o estilo apresentado em Rocky I e II: os dois primeiros rounds são apresentados na integra, mas do terceiro até o décimo quarto rounds são editados com imagens rápidas, mas que jamais perdem o ritmo e o vigor da luta. O último é na integra também e tão emocionante como o round final de Rocky II e III. Mas apesar de ser uma luta muito boa (Rocky apanha pra valer do russo), a trilha sonora se mostra um pouco inferior e demora um pouco para cativar o expectador.
Mas, por incrível que pareça, Stallone ainda mantém o carisma do personagem. Se dividindo entre Stallone, o escritor e diretor, e Stallone ator, o astro demonstra incrível segurança e vontade para seu personagem. Sem usar dublês (de novo), Stallone entra de cabeça na luta e se fere de verdade, tanto que em uma das tomadas, Dulph Lungreen acerta-o tão forte que Stallone cai feio (é possível presenciar algumas pancadas que realmente pegam em cheio). Apesar de pouco desenvolvido e muito limitado, Dulph Lungreen se solta (da mesma forma que Mr. T.) durante a luta e se entrega totalmente. Talia Shire, Burt Young e Tony Burton são mais uma vez limitados pelo fraco roteiro, mas demonstram comptetência e segurança, sendo que este último criou um dos mais famosos jargões da série: “Sem Dor!”.
Dos seis filmes, este é o mais fraco e, curiosamente, o que mais passou na televisão. Toda a má fama da série entre as pessoas menos ligadas ao cinema, se deve a este filme e que infelizmente faz com que essas pessoas julguem todos os filmes equivocadamente. Assistam por quatro motivos: 1- para acompanhar a série; 2 – Pela seqüência de treinos e pela Luta final; 3 – para nos despedirmos de mais um personagem marcante na série; e 4 – por ser este o episódio que dá um arco dramático maravilhoso para os próximos capítulos.
Escrito por fabiorocha89j às 12h23
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Filme: Rocky III
Autor: Fábio Rocha
Nota:
Rocky III deixa um pouco de lado o cinema artístico dos dois primeiros capítulos e parte para um apelo um pouco mais comercial, sendo quase um filme de ação. Mas, mesmo com o ego de Stallone na estratosfera, o filme ainda conserva algumas boas influências e apresenta partes realmente emocionantes.
A sinopse é simples, mas convincente: após a conquista do título mundial dos pesos pesados, Rocky atinge o auge de sua carreira e defende o cinturão contra seis adversários. Rico, famoso e de bem com a vida, o boxeador se torna o queridinho do povo (ganhado até uma estátua, que na vida real permanece na Filadélfia), aprende a se comportar da maneira correta, começa a fazer propagandas, participa de shows de TV, é capa de revistas, vive cercado de fãs, etc. Mas surge um homem chamado Clubber Lang, um arruaceiro lutador que quer derrotar Rocky e ganhar o título de campeão.
Como virou hábito da série, o filme inicia com um retrospecto da luta anterior. O filme abre com o grito da platéia, com o narrador aos berros com o combate que está presenciando entre Rocky e Apollo Creed. Logo em seguida o tema “Fanfare For Rocky” anuncia o título, com a imagem de um cinturão, então somos transportados para o ringue com Apollo e Rocky já esgotados, usando suas últimas forças para permanecer em pé. Esse começo é envolvente e planta em quem assiste uma expectativa muito grande em relação ao filme. Mas durante a projeção percebemos que há algumas falhas que comprometem o andamento da saga do lutador e, por conseqüência, a série fica manchada para sempre, sendo duramente criticada somente pelos filmes seguintes.
Stallone, coincidência ou não, estava no auge também e o filme passa a ser um auto-retrato. Mas graças ao carisma do personagem, Stallone algumas vezes se segura, retornando ao roteiro poético do homem simples que precisa lutar até o fim. Com narrativa oscilante, o filme peca por incluir seqüências absurdas e desnecessárias, como a luta contra Thunderlips, ou o mal desenvolvimento de Paulie que, em um momento é arrogante com Apollo e, de repente, se mostra amigo. Além de demonstrar pressa para chegar ao combate final, Stallone derrapa ao não dar mais espaço a Adrian, além de optar por clichês como o treino absurdamente falso que Rocky realiza antes da primeira luta com Clubber. No mais, a parte técnica ainda se mantém firme e impede que o filme caia e, de quebra, traz a música que se tornou o maior clássico da série: Eye of the Tiger, do grupo Survivor.
Mas de repente Stallone se transforma e põe Rocky de frente à sua primeira grande perda até então: a morte de Mikey, seu treinador. Aí o filme muda. Com uma interpretação mais do que perfeita, Burgess Meredith dá o tom perfeito, e até aprimorando, a imagem do pai que Rocky (e até o próprio Stallone, de certa forma) não teve. Em uma de suas melhores cenas, Meredith solta “você tinha garra, mas agora aconteceu o que eu temia e que acontece com qualquer um... Ficou civilizado”. Stallone dá uma bronca em si mesmo através de Mickey, e impiedosamente (no bom sentido) faz com que o treinador nem consiga assistir a última luta de Rocky (que perde), e traz adversários que o lutador nunca conheceu antes: o medo, a dúvida, a insegurança. É emocionante a maneira com que Rocky despeja toda a sua frustração, gritando e embargando a voz, e, somente pela segunda vez no filme todo, a personagem Adrian é aproveitada, e Talia Shire não desperdiça a oportunidade demonstrando conhecer a personagem melhor até do que o próprio Stallone.
Burt Young fica encostado, limitando-se a ter pequenas tiradas engraçadas, formando um Paulie morno. Carl Weathers mantém, e até amplia, o carisma de Apollo, pecando apenas no figurino (é difícil ignorar aquela camisetinha azul). E Stallone, apesar de falhar no roteiro, consegue manter Rocky intacto, tornando suas mudanças de comportamento compreensíveis e trazendo o mesmo tipo que se vê nos filmes anteriores, com uma pequena diferença: Rocky se contém e não fica mais socando o ar enquanto fala. Além de não usar dublês, Stallone treina pra valer e apresenta um físico invejável. Chegamos então ao grande (fisicamente) Mr. T. Ele é uma figura chamativa, com seu corte moicano, seus brincos gigantescos e suas roupas extravagantes. Mas seu talento para a atuação é muito ruim, com erros simples como olhar para a câmera em momentos que não podem, além de dar suas falas sempre em um tom nervoso e apressado. Mas no ringue ele se solta e manda ver sem dó em Stallone.
Aliás, a luta final é realmente empolgante (principalmente para os garotos de dez, doze anos). A única da série a não usar todos os rounds, com recurso de passagem de tempo visto nos filmes anteriores, se mostra a mais cheia de ação, já que Rocky muda completamente seu estilo, optando por uma movimentação relâmpago e golpes rápidos. O treinamento também é bom, mas guarda uma cena que, para muitos, é a primeira e uma das maiores cenas homossexuais dos filmes de ação, e que não deixa de provocar risos (Rocky e Apollo correndo na praia e se abraçando? Ai, que amor... rsrs... brincadeira).
Um filme inferior aos capítulos anteriores, mas que empolga da metade para o final. Além de contar com um dos personagens mais carismáticos do cinema, um vilão atípico que criou um estilo, uma luta muito boa, e possuir uma trilha sonora maravilhosa, a série nos deixa com saudades de um de seus mais expressivos personagens: Mickey. Assistam.
Escrito por fabiorocha89j às 12h22
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Filme: O Mundo de Jack e Rose
Autor: Fábio Rocha
Nota: 
“São quadros em movimento”. Esta é a melhor maneira de definir “O Mundo de Jack e Rose”, o novo filme escrito e dirigido por Rebecca Miller, filha do dramaturgo Arthur Miller, e estrelado por Daniel Day-Lewis e Camilla Belle.
Jack (Lewis) é um idealista defensor do meio ambiente que vive isolado do mundo com sua filha Rose (Belle), de dezesseis anos. Mas o desenvolvimento de sua doença e o desabrochar de sua filha o faz pensar no futuro, então Jack decide convidar Kathleen (Catherine Keener), sua namorada, a viver com eles. Kathlenn aceita e se muda para a ilha com seus dois filhos Rodney (Ryan McDonald) e Thaddius (Paul Dano). Com a mudança, Rose sente-se traída pelo pai e passa a agir de modo agressivo com todos. Jack, perante as atitudes da filha, sente-se indefeso, mas forçado a agir.
A fotografia é um dos grandes destaques do filme. O modo como os cenários são apresentados remetem ao clima visto em filmes como o Senhor dos Anéis (sem a grandiosidade, mas como mesmo contexto). Onde antes era uma comunidade, agora apenas uma lembrança que será extinta com o avanço dos tempos, a ilha onde Jack e Rose moram é um lugar que chama a atenção do expectador. Nos dá vontade de explorar todos os cantos da ilha. Além de sermos envolvidos com uma trilha sonora marcante (com influências dos anos 70, principalmente), a edição não deixa a criatividade dos planos externos ser prejudicada. A fluidez de algumas seqüências chegam a lembrar Brian De Palma, pra se ter uma idéia.
Com um elenco competente, Rebecca Miller consegue criar uma narrativa que envolve por despir a alma humana de forma direta, apesar de o roteiro possuir algumas pequenas falhas (como o aparecimento repentino de um personagem que não corresponde às expectativas criadas). Camilla Belle tem uma atuação muito boa, conseguindo criar uma atmosfera de incerteza (e até de certa tensão) em Rose. Catherine Keener está bem, falhando apenas em alguns detalhes. Ryan McDonald e Paul Dano estão mostrando que são grandes promessas para o futuro, principalmente Dano que opta por uma atuação mais interior. Beau Bridges e Jason Lee aparecem pouco. Mas é Daniel Day-Lewis quem mostra sua versatilidade como ator (basta comparar este personagem com os vistos em Gangues de Nova York, Sangue Negro, ou Meu Pé Esquerdo). Jack está sempre com a respiração rápida e curta, devido à sua doença, mas demonstra força bruta e uma feição de pedra, alterando-a apenas para sua filha, que é a única que o conhece realmente. Jack é uma pessoa que se isolou por não aceitar os outros, temática abordada também em “Sangue Negro”, mas que, diferente de Daniel Plainveiw, ele tenta se redimir de seus erros.
Um filme cercado de um cenário magnífico, povoados por personagens interessantes e que vale a pena ver. “O Mundo de Jack e Rose” é um dos melhores filmes do super ator Daniel Day-Lewis, e um grande trabalho da diretora/roteirista Rebecca Miller (que, só por curiosidade, é esposa de Daniel Day-Lewis). Assistam.
Escrito por fabiorocha89j às 12h21
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