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Blog de fabiorocha89j
 


Peça: RockShow

Autor: Fábio Rocha

Nota:  

Estava muito curioso para assistir o musical “RockShow” pelo simples motivo de ser um grande fã do estilo. Devo lembrar que “rock” não é só um estilo barulhento de música, mas tem a ver com atitude e liberdade de expressão, e são esses ingredientes que moldam os vários gêneros que nasceram do rock: hard rock, folk, heavy metal, glam, punk, psycodelic, prog, entre outros. Mas o que vi durante 1 hora e meia de espetáculo foi apenas um amontoado de gritaria, clichês e falta de conhecimento por parte dos responsáveis.


O show(?) abre com “Rock´n´Roll All Night”, do Kiss e logo de cara se percebe que a falta de pesquisa por parte dos atores/cantores pesa muito sobre a performance. São excelentes dançarinos, não há dúvida, mas, penso eu (e muitos outros que assistem peças de teatro, filmes, etc.) que, no mínimo, um pouco mais de conteúdo para os personagens seria plausível. O que se mostrou no número de abertura foi um bolo de gestos sem sentido (como o sinal do “diabo”, que não tem nada a ver com o diabo) típicos de que não tem nada a ver com rock, executados sem parar, só para parecerem “rockstars”, além de um amontoado de perucas, barriguinhas de fora e gritaria, muita gritaria. Tudo bem que o Kiss é uma banda de hard rock que já passou por uma fase glam (aquelas bandas espalhafatosas, tipo o Skid Row e o Guns´n´Roses), mas o figurino da peça(?) era muito deslocado para a música. Se a proposta era apresentar as diferentes épocas do rock, por que não apresentá-las no figurino? O resultado é um grupo cantando sucessos dos anos 50 e 60 com figurino que tenta parecer dos anos 80 (ápice do glam), mas que são apenas variações de roupas da Kelly Osbourne (a patricinha filha de Ozzy Osbourne).


O show seguiu avançando em sua leitura equivocada a partir da segunda música em diante, mas, os sucessos dos anos 50 e 60 (entre eles “Be Bop A Lula”) se encaixaram um pouco melhor no contexto “espetáculo musical”. Apesar de um número regular, aqui o espetáculo, deu sinais de que iria melhorar. Então a apresentação segue e revela que essa esperança foi mera ilusão.


Devo citar na ordem, apenas três músicas que foram boas :


“Bohemian Rhapsody” - Queen: a melhor performance. O grupo soube permanecer fiel ao coral da música original, com alguns exageros (o que é normal em musicais). Além de encerrar a apresentação.


“Another Brick in the Wall part 2” - Pink Floyd: com a melhor coreografia e a que casou bem com a idéia original do vídeo e do filme. Um show de efeitos especiais e o coral bom, exagerando um pouco mais.


“We´re Not Gonna Take It” - Twisted Sister: o interprete foi o único que capturou o espírito da coisa e realizou um bom trabalho. Foi a única música realmente “rock”.


As outras músicas foram (desculpem pela grosseria) destruídas por vocais estridentes e cheios de falhas nas pronúncias:


“Stairway to Heaven” - Led Zeppelin: triste. Cheia de “embromation”. Ver uma das mais belas músicas do mundo, que praticamente criou o estilo folk, ser assassinada por vocais tão exagerados.

“Born To Be Wild” - Steppenwolf: um número de sapateado prejudicado e uma música desperdiçada.

“Light My Fire” - Doors: Para fazer isso, melhor seria se não tivesse sido incluída no repertório. Uma das mais famosas do Doors, cantada como se fosse em uma igreja evangélica (exageros).

“Nothing Else Matters” - Metallica: o Metallica possui tantas outras músicas melhores do que essa (incluíndo “The Unforgiven” e “Fade To Black”). O figurino do cantor estava bom e ele cantou bem. Só.

“Blitzkrieg Bop” - Ramones: Além de performances deslocadas, o grupo mostrou pobreza de conhecimento ao apresentar a música com perucas coloridas que não tinham nada a ver com o punk, e por cantarem tão mal. Seria muito útil um laboratório no Hangar 110, local onde são realizadas apresentações de bandas punks e de hard core, para evitar essa cafonice.

“We Will Rock You” - Queen: apesar da boa idéia de “temperar” a música com um pouco de Stomp (grupo de percussão), o grupo cantou mal. Além da presença das perucas coloridas.

“Help” - Beatles: parecia música gospel (nada contra, mas não combina nem um pouco).

“All Night Long” - AC/DC: regular. O cantor foi o mesmo de “We´re Not Gonna Take It”, e se saiu bem.

“Song 2” - Blur: terrível. Muito mal cantada cheia e cheia de Ho-Ho( tipo o papai noel) e não o “Uh-hu” original.

“Californication” - Red Hot Chili Pappers: fraca. A única coisa legal foi a entrada de um carro no palco.

“I Still Haven´t Found What I´m Looking For” – U2: outra música que virou gospel. Desperdiçada.

“(I Can´t Get No) Satisfaction” – Rolling Stones: cantada por uma aspirante a Britney Spears, com uma linha vocal tão exagerada quanto Mariah Carrey.

“Sweet Child o´ Mine” – Guns´N´Roses: uma das músicas mais famosas do grupo, mas é das mais pop´s (“Paradise City”, “November Rain” ou “Welcome to the Jungle” seriam melhores). Tentar imitar a voz do fresco sr. William Axl Rose é arriscado. A cantora se esforçou, conseguindo alguns resultados bons, mas logo sua voz sumiu, devido ao esforço.

“Smells Like Teen Spirit” – Nirvana: sem dúvida, a pior. O cantor estava fora do tom, errava no tempo, a performance foi a mais fraca do grupo em termos de dança e a música, apesar


eu não lembro de todo o set-list.


Os números de sapateado, apesar de bons, foram tristemente prejudicados pelo alto volume das caixas de som (e eu adoro sapateado). Também foram prejudicados os números de percussão, e aéreos. As danças são, na maioria muito bem coreografadas, mas não passam nem um pouco a idéia de atitude e anarquia que o rock possui (seriam mais bem aproveitadas em um universo mais pop).


Eu gosto de musicais. “A Bela e a Fera” e “O Fantasma da Ópera”, por exemplo, são algumas das mais belas montagens que já foram encenadas em São Paulo, além de “Chicago” e “Cabaret”, que, além musicais de teatro, renderam ótimos filmes. E triste ver um grupo com tanto fôlego para espetáculos, com boas vozes para determinados estilos, e tanto aparato técnico, serem desperdiçados em um espetáculo que apenas deturpa ainda mais a imagem que o verdadeiro ROCK (não aquela criada pela mídia não especializada) tem. Este é um exemplo quem não gosta e de quem não conhece nada de rock e se baseia em Mtv e “rádios rock” que existem por aí (exceto a Eldorado e a Kiss FM, que são ótimas).



Escrito por fabiorocha89j às 17h45
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